Projetos Pedagógicos - INE/UFSC
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O Projeto Pedagógico de Curso

O Projeto Político-Pedagógico (PPP), ou Projeto Pedagógico de Curso (PPC) é o instrumento que concentra a concepção do curso de graduação, os fundamentos da gestão acadêmica, pedagógica e administrativa, os princípios educacionais vetores de todas as ações a serem adotadas na condução do processo de ensino-aprendizagem da Graduação. Nos cursos de graduação a atualização do PPC é de responsabilidade do Núcleo Docente Estruturante do Curso, conforme normatiza em nível nacional a resolução 01/CONAES/2010. Na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) a portaria 233/PROGRAD/2010 explicita que as atividades de formulação, implementação, avaliação e desenvolvimento do projeto pedagógico ficam a cargo do Núcleo Docente Estruturante do respectivo curso.

Sistema Web para Elaboração e Controle de PPCs no Curso de Ciências da Computação da UFSC

Este sistema web é uma versão em desenvolvimento que está sendo realizada pelo professor Rafael Luiz Cancian do Curso de Ciências da Computação (CCO) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e que visa a automação de parte do processo de definição e atualização do Projeto Pedagógico de Cursos de Graduação (PPC), em especial de Cursos do CTC da UFSC.

Em relação ao documento do PPC especificamente, esse sistema web permite a definição de sua estrutura textual (capítulos, seções, suseções, etc), um ambiente para edição do texto que não é superior a qualquer outro editor disponível, mas principalmente a possibilidade de gerar automaticamente parte do texto do PPC e criar um PDF atualizado a partir do mesmo. Assim, sempre que alguma informação sobre alguma disciplina ou qualquer aspecto associado ao currículo pleno for alterado, cálculos de carga horárias e definições de perfil de egresso, entre outros elementos, são utilizados automaticamente e a nova versão do texto do PPC é gerada em poucos segundos. Lembre-se que este ainda é um sistema em desenvolvimento. Portanto, nenhuma informação contida nele é oficial ou definitiva.

Especificamente em relação ao currículo pleno, esse sistema permite definir diversos elementos estruturais comuns a vários cursos de graduação, especificar o Perfil do Egresso e toda a estrutura/matriz curricular, automatizando a geração do texto final do Projeto Pedagógico em relação a esses elementos. Importante ressaltar que, além de permitir elaborar o "Plano do Curso" (Projeto Pedagógico -- PPC), esse sistema web também visa auxiliar na execução desse plano, ou seja, a operacionalização das aulas, e também na oritoração, controle e melhoria (ação) do Plano, o PPC, fechando ciclo conhecimento como PDCA (plan–do–check–act), ou seja, Planeje, Execute, Monitore, Atue (na correção/melhoria). Para isso, esse sistema se baseia em várias publicações da área pedagógica, orientações para a elaboração de PPCs divulgadas por Instituições de Ensino Superior de nosso país e implementa um método para a especificação do PPC que segue a Engenharia de Sistemas.

O Processo de Elaboração de PPCs

Um sistema é um conjunto de elementos interdependentes de modo a formar um todo organizado. Todo sistema possui um objetivo geral a ser atingido. O sistema é um conjunto de órgãos funcionais, componentes, entidades, partes ou elementos e as relações entre eles, a integração entre esses componentes pode se dar por fluxo de informações em que ocorre comunicação entre os órgãos componentes de um sistema. A abordagem adotada para elaboração de PPCs consistiu em pensar num curso de graduação como um sistema a ser projeto; um sistema educacional.

Assim, pode-se projetar tal sistema (educacional) usando algum método de projeto de sistemas. Um deles é a Engenharia de Sistemas, um campo interdisciplinar da engenharia que foca no desenvolvimento e organização de sistemas artificiais complexos. A engenharia de sistemas tem como foco 'definir, de maneira precoce no ciclo de desenvolvimento de um sistema, as necessidades do usuário, bem como as funcionalidades requeridas, realizando a documentação sistemática dos requisitos, e abordando a síntese de projeto e a etapa de validação de forma a considerar o problema completo'. (NCOSE - International Council of Systems Engineering)

Ao ser aplicado a um sistema educacional, e aliado a outros métodos, como o da educação baseada em competências, esse método busca especificar o processo gradual de desenvolvimento de competências dos ingressos até os egressos, de forma que atendam exata e adequadamente o perfil para eles estabelecidos. Isso é conseguido especificando-se gradativamente os processos envolvidos, iniciando a partir dos requisitos do sistema educacional sendo projetado, o que na concepção desse método corresponde ao perfil do egresso que se deseja formar. Após o levantamento dos requisitos e sua especificação, controi-se a arquitetura do sistema, e que no caso de um sistema educacional, corresponde à estrutura geral do currículo e suas interrelações. A partir disso o currículo pleno é projetado, desmembrando competências em processos educacionais que formem essas competências nos alunos, e encaixando esses processos na arquitetura do sistema (estrutura curricular).

Levantamento e Especificação de Requisitos

De forma geral, para definir o Perfil do Egresso, inicialmente os integrantes do NDE estabelecem as Áreas de Conhecimento que serão atendidas pelo curso em questão. Nesse estabelecimento o NDE coleta e considera a opinião de professores, alunos, egressos, empresas, academia e sociedade. Numa segunda etapa, cada Área de Conhecimento é desmembrada em uma ou mais funções (atividades profissionais) que os egressos podem exercer no mercado de trabalho (indústria, academia, etc), e em qual nível (básico, intermediário avançado), além de dependências entre as atividades profissionais. Na terceira e última etapa da definição do Perfil do Egresso, cada função (atividade profissional) é desdobrada em uma ou mais competências (conhecimentos, habilidades ou atividades) que são exigidas dos profissionais que exercem aquela função, e em qual nível (seguindo a taxonomia de Bloom atualizada). Competências não podem ser simplesmente transmitidas por aulas expositivas. Elas deve ser construídas de forma ativa. Assim, esse conjunto de competências que deve ser construído e formado nos alunos para que eles possam exercer atividades profissionais das áreas de conhecimento cobertas pelo curso é o que corresponde aos requisitos do sistema educacional sendo projetado.

Importante destacar que esses requisitos (funcionais) do sistema educacional estão também submetidos a um conjunto de outras restrições de mais alto nível hierárquico, como Diretrizes Nacionais da Educação e Regimentos de Classe, por exemplo, e que impõem limites de carga horária e exigem a inclusão obrigatória de certas competências específicas, entre outras restrições. Também estão submetidos a outro conjunto de restrições de ordem geográfica local e de recursos, como por exemplo características das empresas das região, as competências do corpo docente e planos estratégicos da Instituição e do Curso. Ambos conjuntos de restruções podem ser considerados ao longo do processo de definição do Perfil do Egresso, ou possivelmente após o mesmo, como limitador das competências definidas e que poderão efetivamente ser desenvolvidas.

Especificação da Arquitetura do Sistema

Pela abordagem adotada, o curso de graduação corresponde ao sistema educacional cujo objetivo principal é criar/formar/desenvolver, da forma mais eficiente possível, esse conjunto de competências nos alunos do curso, tendo como ponto de partida as competências já apresentadas pelos ingressantes no curso e que foram adquiridas durante o ensino fundamental e médio. Para atender a esse objetivo principal devem ser projetados processos educacionais que possibilitem e favoreçam a criação gradual e sistemática dessas competências. Esses processos educacionais estão sujeitos a outro conjunto de restrições e caracteríticas, mas normalmente de ordem organizacional e interna à Instituição, como por exemplo o período letivo, diretrizes para a organização curricular, métodos definidos para flexibilização curricular (disciplinas optativas, áreas de concentração, etc) e para apoio e acompanhamento dos alunos, existência ou não de monografias de graduação e estágios obrigatórios curriculares, entre outros. Esse conjunto de restrições e características do curso precisa ser determinado pelo Núcleo Docente Estruturante antes da especificação dos processos educacionais de desenvolvimento das competências, ou seja, de atendimento aos requisitos do sistema. O conjunto de todo o arcabouço que define de maneira holística a macro estrutura do currículo é o que se entende por Arquitetura do Sistema. Após essas definições serem realizadas pelo NDE, prossegue-se à especificação do Currículo Pleno, ou Matriz Curricular.

Projeto do Currículo Pleno

A etapa de projeto do Currículo Pleno, conforme a metodologia adotada, inicia com a associação dos requisitos do sistema (competências a serem formadas nos egressos) em uma ou mais unidades de ensino necessárias para formar aquela competência. Neste momento ainda não existem disciplinas, apenas unidades de ensino, que podem ser entendidas como itens de ementa. Cada unidade de ensino corresponde à definição de um processo didático com objetivos educacionais específicos (intimamente relacionados à formação da competência ao qual está associado), que (i) exige um conjunto de recursos definidos (bibliografia, laboratórios, datashow, etc); que (ii) submete os alunos a certas experiências de aprendizagens (aulas expositivas, apresentação de seminários, etc) considerando suas inteligências múltiplas para atingir os objetivos previstos, sempre associadas a conteúdos programáticos específicos; e que (iii) utiliza instrumentos de avaliação formativos e instruídos (provas escritas, seminários, etc) para verificar a aprendizagem e o atendimento dos objetivos educacionais e, assim, formar neles parte de uma competência esperada nos egressos. Portanto, após a primeira etapa do projeto do currículo pleno têm-se, associada a cada competência a ser criada/formada nos egresso, um conjunto de unidades didáticas que correspodem aos processos didáticos necessários para que aquela competência seja formada. Nessa primeira etapa também são definidas todas as dependências entre unidades didáticas, ou seja, um ordenamento parcial desses itens.

Na segunda etapa do projeto do currículo unidades didáticas precisam ser refinados, ou seja, pelo menos seus objetivos educacionais precisam ser definidos, indicando claramente o domínio cognitivo (conhecimento, habilidade, atitude) e o nível exigido (conforme a taxonomia dos objetivos educacionais). Embora possa ser feito posteriormente, dada sua grande integração e possibilidade de serem utilizados em etapa posteior, os demais elementos constituintes das unidades didáticas também podem ser definidos nesta etapa: experiências de aprendizagem, conteúdos programáticos, recursos e instrumentos de avaliação. Essa etapa corresponde à operacionalização dos procedimentos didáticos associados às unidades didáticas, ou seja, às aulas.

Um conjunto de unidades didáticas pode ser agrupado de alguma maneira para formar uma disciplina específica. Por sua vez, disciplinas precisam ser dispostas ao longo do tempo de algum modo para formar o currículo. Isso é realizado na terceira e última etapa do projeto do currículo pleno. Longe de ser um processo trivial, existem diferentes modos pelo qual esse agrupamento e disposição temporal podem ser feitos, e precisam considerar diferentes aspectos e requisitos. Dentre eles estão incluidas obviamente as dependências entre itens de ementa, competências e atividades, e também carga horária máxima por disciplina e por semestre. Formas de agrupamento incluem a área dos itens de ementa, formando disciplinas tradicionais de uma área, mas também formas menos óbvias, como organizar por competências, teoria ou prática, acadêmica ou mercadológica, fáceis ou difícieis (com base na taxonomia dos objetivos educacionais), entre muitas outras. As formas de agrupamentos e distribuição temporal precisam estar intemamente relacionadas à arquitetura do sistema e à possível existência de ativadades complementares ou ensino à distância, por exemplo, o que nos leva à integração do sistema.

Integração do Sistema

Ainda em elaboração... RASC: [[ Encaixe das unidades de ensino e disciplinas à arquitetura do sistema (estrutura curricular), considerando os demais aspectos curriculares que não são disciplinas curriculares, como atividades complementares, ensino à distância, atividades de extensão, ênfases ou áreas, blocos de disciplinas, etc. Além disso, nesse momento uma matriz de rastreabilidade que mapeia cada requisito do sistema aos processos que o satisfezem deve ser analisada e consolidada, garantindo o atendimento adequado a cada requisito. Por fim, diversos ajustes podem ser necessários para considerar restrições de alto nível, como diretrizes estabelecidas nos planos institucionais ou do sistema de educação...]]

Verificação e Validação

O projeto pedagógico é um plano, uma especificação de como um sistema deve ser implementado. Esse plano define obviamente as políticas e aspectos pedagógicos que devem nortear os professores e administradores do curso, e define também o currículo e outros aspectos acadêmicos que devem nortear os alunos. A execução desse plano corresponde, em última instância, ao seu oferecimento púbico e a prática diária de aulas e demais práticas acadêmicas previstas no PPC. Contudo, a execução adequada do curso precisa ser garantida, e como em qualquer sistema, duas coisas precisam ser testadas ou avaliadas:

I. Avaliar se o que foi planejado realmente foi realizado, processo que se chama de verificação. A verificação garante que o curso está sendo oferecido conforme previsto no PPC, que as aulas estão sendo ministradas usando as abordagens pedagógicas previstas. O PPC é o resultado de um planejamento que visa oferecer à sociedade (cliente da Instituição) profissionais altamente qualificados e com um conjunto de competências bem definidas. Garantir (verificar) que o curso é oferecido conforme esse plano não garante que esse plano atenda esse objetivo e satisfaça o cliente. Para isso é necessário outro processo: a validação.

II. Avaliar se o que foi entregue atende as expectativas do cliente, ou seja, se o sistema entrega realmente aquilo que o cliente espera receber, processo que se chama de validação. Embora a validação final do sistema seja realizada pelo próprio cliente, a Instituição (representada pelo NDE, por exemplo), pode validar parcialmente o sistema avaliando se as competências esperadas nos egressos estão sendo formadas nos alunos, e tomar ações caso isso não seja pecebido. Assim, consideramos que o processo de planejamento de um sistema e o plano gerado como resultado desse processo (o PPC), é insuficiente e a utilidade do sistema desenvolvido a partir desse plano só pode ser garantida com processos periódicos de verificação e validação, formando um ciclo de aperfeiçoamento contínuo.

Aperfeiçoamento Contínuo

Assim como qualquer outro sistema, um curso ou sistema educacional precisa de aperfeiçoamento contínuo, de manutenção e de evoluções periódicas. Extraído do contexto da administração, O Ciclo PDCA, também chamado de Ciclo de Deming ou Ciclo de Shewhart, é uma ferramenta de gestão que tem como objetivo promover a melhoria contínua dos processos por meio de um circuito de quatro ações: planejar (plan), fazer (do), checar (check) e agir (act). O intuito é ajudar a entender não só como um problema surge, mas também como deve ser solucionado, focando na causa e não nas consequências. Ele se baseia na precissa que o planejamento não é uma atividade que é realizada uma única vez, mas que precisa ser refinada e melhorada continuamente, sempre que fo identificada essa possibiliade. Uma vez identificada a oportunidade de melhoria, é hora de colocar em ação atitudes para promover a mudança necessária e, então, atingir os resultados desejados com mais qualidade e eficiência. Este Projeto Político-Pedagógico é a primeira versão do resultado da ação de planejar, o 'P' do PDCA.

Ainda em elaboração... Como será feito o Check e o Act
RASC [[ avaliações insitucionais, etc ]]

Engenharia e Modelo

A estrutura do currículo pleno que serve de base a este sistema foi modelada utilizando a linguagem UML e um pequeno diagrama de classes mostra a estrutura estática de suas principais constituintes e suas relações. Esse diagrama (release 10/2016) é apresentado na figura abaixo (clique na figura para abrir outra janela e aumentar o tamanho da imagem).

A utilização desse sistema permite muitas consultas e análises que antes eram difíceis ou mesmo impossíveis de serem feitas manualmente. Entre as mais simples estão os cálculos automáticos de cargas horárias (por disciplina, área, teóricas, práticas, obrigatórias, optativas, etc). O sistema permite consultas como "liste todas os itens de ementa que devem ser cursados por um aluno para que ele possa ser considerado competente para exercer a atividade A", ou "liste todas as competências que a disciplina D ajuda a formar", ou "liste os itens de ementa que não ajudam a formar nenhuma competência esperada nos egressos e, portanto, são desnecessárias", ou ainda "liste todos os recursos necessários por disciplinas da área R", ou "liste todas as disciplinas que utilizam o instrumento de avaliação P para verificar o atendimento a objetivos do tipo T". Finalmente, será possível realizar ações como "agrupe os itens de ementa formando disciplinas de modo que nos períodos de P1 a P2 não haja disciplinas com carga teórica superior a T% da carga total", ou então "ordene as disciplinas de forma a maximizar a quantidade de competências de nível básico desenvolvidas nos períodos entre P1 e P2".

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Departamento de Informática e Estatística - INE

Curso de Ciências da Computação - CCO

Núcleo Docente Estruturante do CCO

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